Os personagens da DC Mulher-Gato, Pinguim, Hera Venenosa, e um dos meus favoritos, o Charada, estão chegando à Netflix no próximo ano em um acordo exclusivo para streaming da série Gotham, da Time Warner.
Estreando no dia 22 de setembro nos EUA, Gotham conta a história de como a cidade que criou o Batman acabou tão mal que tenha precisado do herói. Quase todos os vilões conhecidos dos fãs farão uma aparição.
"A Netflix é a casa perfeita pra Gotham", disse Jeffrey R. Schlesinger, alto executivo da Warner Bros no release de imprensa. Perfeita? Não tenho tanta certeza. Mesmo assim, a fala de Schlesinger (e o acordo) sugerem um aquecimento nas relações previamente muito frias entre Netflix e Warner.
Hambúrgueres voadores, um macaco gigante, e o exército Albanês
Vocês podem observar em comentários feitos no passado pelo diretor executivo da Warner, Jeff Bewkes. Vamos rever:
Em uma entrevista em dezembro de 2010 ao New York Times, Bewkes caracterizou a Netflix como um grupelho de rebeles que não tinha nenhuma chance de romper o establishment da indústria de entretenimento. "É meio como... o exército albanês tomando o mundo todo? Não acredito."
Então, em janeiro de 2011, ele disse ao CNBC que "[A Netflix] é como um chimpanzé de 100 quilos, não um gorila de 350 quilos".
Em dezembro, ele usou uma metáfora para afirmar que a própria existência da Netflix desafia as leis da Física. "Eles podem fazer algumas coisas e não podem fazer outras. Se podem voar, não são um submarino. Não transforme um hamburguer em uma vaca.", disse ele em uma entrevista ao Financial Times.
A Warner e a Netflix fizeram parcerias desde o início, mas a relação sofreu com alguns momentos de tensão. Por exemplo, em abril a Warner apresentou seu próprio serviço de streaming voltado a amantes do cinema clássico e depois assinou um acordo para trazer antigos originais da HBO exclusivamente para a Amazon.com. Todos os sinais apontavam para a Warner se distanciando da Netflix em todas as áreas, menos uma: DC Comics.
Uma grande aposta nos heróis da DC
Depois de usar a Netflix para distribuir séries animadas, a Warner fechou um acordo para disponibilizar nos EUA a primeira temporada da série Arrow antes da estreia da segunda temporada. A esperança da Warner era facilitar para os não iniciados para que pudessem ver os episódios antigos a tempo de assistir os novos na TV paga. Hoje, o programa é um dos mais bem avaliados da TV dos EUA. (Leia aqui sobre efeito equivalente em Breaking Bad).
A Warner adotará estratégia parecida com Gotham. Mas ouvindo Bewkes em seus mais recentes anúncios de lucro dá pra saber que ele tem mais ambições:
A Warner terá 31 programas em canais de TV aberta nos EUA, incluindo pelo menos duas séries em horário nobre em cada rede, e 60 programas ao todo entre TV paga e TV aberta. O que não tem precedentes é a quantidade de programas baseados em heróis da DC: cinco ao todo, incluindo Gotham, The Flash e Constantine. É uma evidência de que a Warner está apostando em expandir o catálogo da DC na televisão, nos filmes, video games e outros produtos. A Netflix deve colocar as
Hoje, a Netflix gasta bilhões ao ano para licenciar programas como Gotham enquanto ainda financia séries próprias ganhadoras de Emmy. O valor das ações subiu a $477 dólares, 140% a mais do que quando Bewkes deu a primeira entrevista ao NY Times. Bewkes estava errado ao não acreditar no apetite da Netflix.
Mas não tem problema. Bons executivos aprendem e melhoram. Ao ver a Netflix não tanto como uma competidora, e sim como uma parceira de distribuição global, Bewkes está trazendo os personagens da DC a um mundo que - julgando pelas bilheterias - está faminto por mais cultura pop norte-americana.
Traduzido e adaptado do The Motley Fool
Fonte: Lançamentos Netflix


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